Twitter admite que publicou anúncios de russos suspeitos de interferir em eleições nos EUA

O Twitter informou nesta quinta-feira (28) que cerca de 2 mil anúncios foram publicados em sua plataforma em 2016 por um grupo de mídia russo, suspeito de interferir nas eleições presidenciais norte-americanas do ano passado. Em represália, a rede social fechou 201 contas ligadas à empresa.
Em comunicado, o Twitter afirmou que compartilhou com investigadores do Congresso dados sobre anúncios do RT, um grupo televisivo que tem vínculos com o governo de Moscou. O RT gastou US$ 274 mil em 2016 em anúncios, que podem ter sido usados para tentar influenciar a corrida presidencial.
A notícia surge de o Facebook ter admitido que entidades com conexão com a Rússia pagaram para promover mensagens políticas, o que tem potencial de violar a lei eleitoral americana.
Colin Crowell, vice-presidente do Twitter para políticas públicas, encontrou-se nesta quinta-feira com membros do Congresso dos Estados Unidos que investigam a interferência russa no processo eleitoral.
O Twitter informou ter examinado esforços de agentes estrangeiros para interferir nas eleições após o Facebook ter encontrado 450 contas que pareceram ter sido usadas com este propósito.
"Das cerca de 450 contas que o Facebook compartilhou recentemente como parte de sua revisão, concluímos que 22 tinham contas correspondentes no Twitter; Todas aquelas contas identificadas já tinham sido ou foram imediatamente suspensas do Twitter por descumprir nossas regras, a maior parte por violar as proibições contra spam", destacou o comunicado.
"Além disso, a partir dessas contas encontramos outras 179 contas relacionadas ou vinculadas, e tomamos medidas contra as quais encontramos violação das nossas regras", acrescentou.

O golpe 'envie mensagem para votar'

O RT, que foi mencionado em janeiro em um relatório da inteligência americana sobre a interferência nas eleições, publicou 1.823 anúncios no Twitter ou "promoções" que "visaram claramente ou potencialmente o mercado americano".
"Estas campanhas foram direcionadas a seguidores da mídia tradicional e promoveram fundamentalmente tuítes do RT relativos a matérias jornalísticas", acrescentou o comunicado.
"Estamos preocupados com as violações dos nossos termos de serviço e da lei americana com respeito à interferência no exercício dos direitos de votar", prosseguiu o comunicado.
Segundo o Twitter, durante a campanha eleitoral, a rede removeu tuítes "que estavam tentando suprimir ou, ao contrário, interferir no exercício dos direitos ao voto, incluindo o direito de ter o voto contabilizado, ao circular informação intencionalmente enganosa".
O Twitter destacou que alguns dos anúncios ou tuítes promovidos visavam a enganar os eleitores, ao dizer-lhes que poderiam enviar mensagens de texto para votar ("text to vote", em inglês), o que não tem qualquer base.
"Nós não descobrimos se as contas associadas a esta atividade tinham clara origem russa, mas algumas contas parecem ter sido automatizadas", destacou o texto.
"Compartilhamos exemplos do conteúdo destes tuítes removidos com os investigadores do Congresso", prosseguiu.
No começo deste mês, o Facebook informou que entregaria dados de cerca de 3 mil anúncios comprados por uma entidade russa que aparentemente incitou a divisão política durante a campanha. Cerca de US$ 100 mil foram gastos em anúncios no Facebook.
Legisladores americanos, assim como um procurador especial, estão investigando se a Rússia interferiu nas eleições americanas ou auxiliaram na vitoriosa campanha presidencial do republicano Donald Trump.


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